Alta histórica reflete escalada global do petróleo após início da guerra no Irã; combustível representa 30% dos custos das companhias aéreas
A Petrobras anunciou, nesta quarta-feira (1º), um reajuste médio de 55% no preço do querosene de aviação (QAV). O combustível, essencial para o abastecimento de aviões e helicópteros, sofreu o impacto direto da instabilidade no mercado internacional de energia, sendo este um dos aumentos mais expressivos do setor nos últimos meses.
Repasse mensal e cenário de guerra
O preço do QAV é estipulado mensalmente pela Petrobras, sempre no primeiro dia de cada mês. O salto atual contrasta com os meses anteriores: em fevereiro, o combustível havia registrado queda de 1%, enquanto em março o reajuste foi de 9%.
A disparada é atribuída à guerra no Irã, iniciada em 28 de fevereiro com ataques dos Estados Unidos e de Israel. O conflito desestabilizou o mercado global, elevando o preço do barril tipo Brent (referência internacional) de US$ 70 para pouco mais de US$ 101 (aproximadamente R$ 520).
A região em conflito abriga rotas estratégicas, como o Estreito de Ormuz, por onde escoa 20% da produção mundial de petróleo, o que gera distorções imediatas na cadeia de suprimentos.
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Variações nas refinarias
De acordo com a tabela publicada pela Petrobras, os reajustes nos 14 pontos de venda da companhia variam entre 53,4% e 56,3%.
- Ipojuca (PE): Na refinaria Abreu e Lima, o litro passou de R$ 3,49 para R$ 5,40.
- São Luís (MA): Registrou o valor mais em conta, passando de R$ 3,45 para R$ 5,38 por litro.
A Petrobras detém cerca de 85% da produção nacional de QAV, embora o mercado seja aberto à concorrência e importações por outras empresas.
Impacto no setor aéreo
O aumento gera um alerta para o setor de transportes. Segundo dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), o combustível representa cerca de 30% dos custos totais das companhias aéreas. Com um reajuste desta magnitude, a pressão sobre o preço das passagens e do frete aéreo tende a aumentar significativamente nas próximas semanas.
As distribuidoras compram o QAV das refinarias ou importadores e realizam o transporte e a revenda final nos aeroportos para as companhias de transporte e consumidores finais.
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