Os produtores norte-americanos de grãos, que tiveram perdas agrícolas maiores do que as registradas no Brasil em função da seca deste ano, parecem menos preocupados do que os agricultores brasileiros que também contabilizam os prejuízos provocados pela estiagem que afetou o Sul e Nordeste. A constatação é de um grupo de produtores de soja do Brasil que está percorrendo estados produtores dos Estados Unidos desde o início a semana passada. A justificativa para o clima de tranquilidade nos campos americanos é o programa de seguro agrícola local.
- O governo dos EUA mantém um programa de seguro que dá segurança real para o produtor. Os americanos estão vivendo a maior quebra de safra e estão sendo prejudicados na totalidade [do território], mas o seguro garante rentabilidade para o produtor - afirmou Nelson Picolli, diretor financeiro da Associação de Produtores de Soja e Milho do Estado de Mato Grosso (Aprosoja). A comparação entre os sistemas de seguro agrícola dos dois países reacende antigo embate entre produtores e governo em torno de um modelo de garantias agrícolas.
O seguro agrícola mantido pelo governo brasileiro é dividido por faixas de renda. No caso de pequenos e médios agricultores, o Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro) garante a quitação de dívidas relacionadas às operações do crédito rural de custeio, em casos de perdas provocadas por fenômenos naturais, pragas e doenças que atinjam rebanhos e plantações. O posicionamento oficial é que o fortalecimento do seguro agrícola é um processo de longo prazo.
Luiz Roberto Foz, presidente da Comissão de Seguro Rural da FenSeg, disse que a adesão de produtores de Mato Grosso, um dos principais estados produtores do país, ainda é baixa. A argumentação dos mato-grossenses é que o custo não compensa a segurança. Com níveis de produtividade mantidos nos últimos anos, a demanda do Mato Grosso não está voltada para riscos climáticos, mas para a variação de preço de mercado e variação cambial.
O cálculo de produtividade, que poderia amenizar o custo para os produtores do estado, é baseado na média de produtividade municipal calculada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). “Os produtores dizem que o dado está fora da realidade. As seguradoras até podem usar a produtividade deles, desde que forneçam histórico de 10 anos", explicou Foz.


