O aperto do crédito nos bancos públicos estimulará, em um primeiro momento, o interesse pelo crédito habitacional dos bancos privados, na opinião de especialistas que analisam a situação no setor. O primeiro semestre ainda nem terminou e 2015 já tem várias más notícias para os interessados em comprar casa financiada pelos dois principais estabelecimentos oficiais. Em janeiro, a Caixa Econômica Federal elevou os juros para financiar imóveis com recursos da poupança. Três meses depois, em abril, informou novo reajuste dessas taxas. Ainda em abril, anunciou redução do percentual máximo de financiamento de imóveis usados, de 80% ou 70% para 50% ou 40% do valor de avaliação. No início de maio, foi a vez de o Banco do Brasil informar elevação dos juros.
Apesar de, mesmo após os reajustes, as instituições privadas terem taxas de juros maiores que as da Caixa e do Banco do Brasil, elas podem facilitar as condições, dependendo do relacionamento com o cliente. “Os bancos privados ainda não mexeram [nas taxas do crédito habitacional]. Isso abre espaço para as pessoas procurarem. As taxas são maiores, mas quem é correntista pode obter uma condição melhor", avalia o economista Gilberto Braga, professor de finanças da Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas Ibmec, no Rio de Janeiro.
Outro fator é que tanto os bancos privados quanto o Banco do Brasil, por enquanto, continuam financiando 80% do valor de imóveis novos ou usados. “É difícil imaginar alguém juntar 50% ou 60% do valor de um imóvel. É muito puxado", comenta Braga. “Principalmente essa condição de 50% [de entrada] para usados é muito difícil de ser atendida pelo consumidor", corrobora Miguel Ribeiro de Oliveira, diretor executivo de Estudos e Pesquisas Econômicas da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac).
O consumidor deve pesquisar, negociar e fazer as contas para descobrir quais taxas e condições que mais lhe convêm. Gilberto Braga destaca que, para quem tem condições, sempre sai mais barato dar a maior entrada possível. Ele lembra ainda que os bancos privados também podem reajustar suas taxas e modificar condições de financiamento imobiliário, em função das elevações na Selic, taxa básica de juros da economia. (Agência Brasil)


