“Precisamos de projetos e um deputado federal para trazer benefícios para Caxias”
- mai 30, 2017
Em entrevista ao Capital, o vereador Marcos Tavares (PSDC), 1º secretário da Câmara de Duque de Caxias e presidente da Comissão de Defesa do Consumidor, disse que o município vive um momento difícil política e socialmente, pois tem muita carência de recursos do governo federal. “Confesso que estou muito decepcionado com a nossa representatividade em Brasília, porque com o que esses deputados têm de demanda parlamentar, poderiam produzir muito mais junto aos Ministérios da Saúde, da Educação...
A gente sabe que Brasília tem muitos recursos para os municípios. Precisamos é que se apresentem projetos e que tenha um deputado federal na interlocução, trazer benefícios para a cidade. Eu não vejo isso acontecendo". “Infelizmente, o que percebemos é que durante o pleito eleitoral todos apontam as soluções e quando acaba a eleição, muitos desses a gente vê definindo valores de emenda parlamentar para outros municípios. Eu me questiono por que muitos vêm para cá, pedem voto, dizem ter identificação com a cidade, outros falam que moram na cidade, a população dá o voto a esse cidadão e depois eles destinam verbas para outros municípios".
- O que percebemos é que chegamos ao fundo do poço. Essa situação política, moral, institucional que estamos vivendo pode ser um momento de grande reflexão da sociedade. A população precisa estar atenta a isso. Não adianta dizer: "tô com nojo da política", não é para menos, mas as pessoas precisam refletir quanto a isso, olhar para o futuro. Nós temos mais de 600 mil eleitores, a cidade tem capacidade de fazer diversos deputados federais e estaduais, ter uma representatividade forte para buscar recursos para investir na cidade, mas na verdade não é isso que ocorre - lamentou o vereador. Eis a entrevista do vereador:
- O Brasil passa por uma crise moral, isso é público. Em Duque de Caxias parece não ser diferente: um prefeito condenado pelo STF a mais de sete anos de prisão e que terá o mandato julgado pelo TRE. Diante disso, como o senhor vê o futuro da cidade?
Durante a campanha eleitoral eu fiz a opção de caminhar ao lado do deputado federal Áureo. Eu entendia que nós precisávamos dessa renovação, oxigenar a política na nossa cidade. No segundo turno, diante das opções - uma que representava a continuidade do modelo apresentado e outra um político já experimentado, eu declinei meu apoio a Washington Reis. Hoje faço voto de que promova uma gestão eficiente. Tenho acompanhado o esforço dele, embora não concorde com algumas de suas atitudes. Temos divergências e muitas vezes me posiciono na tribuna quanto a isso, mas somos nascidos na cidade, aqui moramos e criamos nossos filhos, torço pelo êxito de sua gestão. Deixo isso bem claro para ele: tudo aquilo que for de interesse da população, ele vai contar com meu apoio, aquilo que eu não concordar e entender que não é benéfico para a população, não tenho o menor constrangimento de me posicionar, como venho fazendo. Acho que falta isso na política hoje, se você for contrário a alguma mensagem do prefeito é rotulado como oposição. Temos que acabar com esse fla-flu, porque isso não traz nenhum benefício para a população. E quanto ao aspecto legal, político, cabe à Câmara aguardar o desfecho e se posicionar diante da decisão judicial.
- O senhor tem se destacado por sua atuação parlamentar, ao lado de outros líderes, em resgatar o papel fiscalizador do Legislativo. Nesse sentido, foi pedida a instalação de uma CPI para o transporte, além do debate sobre os contratos assinados pelo Município sem licitação. Como estão esses assuntos no âmbito da Câmara?
Quanto ao serviço de transporte público na nossa cidade, é de conhecimento geral que esses senhores exploram esse serviço há mais de 30 anos sem licitação. É um desrespeito à população, no que tange a horário, má qualidade de serviço prestado, monopólio de determinadas linhas. O serviço é péssimo e o passageiro é refém das empresas. Nós lutamos muito contra isso. Na legislatura passada tentamos fazer uma CPI. Fizemos algumas exigências, representações e, numa manobra política, nos foi tirada a Comissão de Transporte. Nessa nova legislatura, junto com outros companheiros, de forma inédita, conseguimos colher o dobro das assinaturas necessárias para implantar a CPI, que teve um parecer desfavorável da comissão de justiça e seu arquivamento de forma monocrática. Apresentamos um recurso no plenário, ele não foi apreciado, apresentamos um requerimento pedindo toda a documentação da ação, com o objetivo de instruir uma medida judicial. Vamos buscar o Poder Judiciário para fazer valer essa medida, tão desejada pela população da nossa cidade.
- E o problema da contratação de Cooperativa pela Secretaria de Educação. Segundo denúncias feitas por alguns colegas seus, ela não está pagando os cooperados e está sendo usada politicamente?
Como operador do direito e da formação que tenho como advogado, tenho muito receio com a Cooperativa. Não há nenhum dispositivo legal vedando sua participação, mas é preciso que o poder público fiscalize, ver se realmente se trata de uma Cooperativa ou apenas um mecanismo para maquiar ausência de vínculo empregatício, esse é o receio maior.
- Algumas pessoas afirmam que a candidatura do deputado federal Áureo à prefeitura visou seu fortalecimento para a negociação de cargos. A adesão a Washington Reis no 2º turno foi instantânea. Vemos hoje que muitas críticas vêm dos próprios correligionários. Como o senhor avalia isso? Pelo poder vale tudo?
Como eu coloquei, declinei apoio no primeiro turno ao deputado Áureo, meu amigo, gosto muito dele como pessoa, um cara inteligente, um jovem que vi naquele momento que tinha talento e força de vontade. Era a esperança de oxigenar a política, era o novo e promoveria a alternância de poder. Infelizmente ou felizmente, eu prefiro acreditar que infelizmente, ele não ganhou a eleição e veio aderir à campanha do Washington Reis no segundo turno. Quanto à ocupação de espaço, como todos sabem foram conferidas ao deputado Áureo duas secretarias, uma ele colocou a esposa e a outra colocou a mãe. Quanto a esse fato o que prezo e busco no serviço público é a competência. Se tiver competência acho que é legítimo ocupar. Agora, o que eu não posso admitir é que durante a campanha eleitoral se aponte os defeitos e coloque as soluções, mas quando tem a oportunidade de efetivamente desenvolver isso, nada é feito. No que tange a Secretaria de Assistência Social, é que nada mudou em relação ao gestor passado. O deputado federal Áureo criticava de forma ferrenha a esposa do então deputado estadual Dica, que era quem capitaneava aquela secretaria, e dizia que se tivesse oportunidade, aquela pasta seria uma Secretaria de projetos e convênios, que bastava uma pessoa competente. E hoje isso não se traduz na realidade. O que vemos é que os problemas são os mesmos, com grande população de rua, dependentes químicos... enfim, não vemos nenhuma política pública naquela secretaria.
- O Legislativo hoje representa melhor o interesse da população em tentar solucionar seus inúmeros problemas?
Estamos vivendo um novo momento. Até por causa dessa crise política, ela reflete também no Legislativo. Tem um apelo maior, dando respostas mais imediatas e confesso que nessa legislatura encontrei companheiros com comprometimento. Não que na legislatura anterior não houvesse, mas, por exemplo, não conseguíamos as assinaturas necessárias para completar uma CPI na legislação passada, agora conseguimos. Isso sinalizou de forma positiva para a sociedade,que os vereadores estão comprometidos em dar respostas que as outras legislaturas não deram.
- Quais são os focos de sua atuação na legislatura atual?
Eu tenho orgulho da nossa produção legislativa. Na legislatura passada, fui o vereador recordista em projetos de lei, requerimentos e indicações. Estamos trabalhando para aproximar a população, estamos com o gabinete itinerante, ouvindo de perto as reclamações. O trabalho não para, posso destacar o projeto de lei da ficha limpa empresarial, que nós conseguimos aprovação. Agora apresentamos inúmeros projetos e reapresentamos alguns, que na legislatura passada foram arquivados. Temos travado uma luta contra o chip da Light, que é uma covardia na nossa cidade. E é por isso que eu falo da falta de representatividade na esfera federal. Porque esses chips foram regulamentados pela agência regulamentadora, é de competência Federal e eu não vejo nossos representantes atuando em defesa dos consumidores em Brasília. Isso nos deixa muito triste. Apresentamos um projeto de lei nesse sentido, este fundamentado pela lei de consumo, e agora entendo que isso é de competência municipal, ele [projeto de lei] proíbe a instalação do chip em nossa cidade se não tiver a anuência do morador, já foi aprovado e está com o prefeito para sancionar. Se isso ocorrer, talvez as concessionárias recorram e nós vamos travar uma batalha judicial até o Supremo. Essa briga eu faço questão de comprar e não vou declinar.
Outra bandeira que eu levantei é a licitação de transporte público de passageiros. Há uma recomendação do Ministério Público e é inevitável. Precisamos melhorar a qualidade dos serviços, buscar a tarifa única, que era um compromisso de campanha do prefeito. Então tem que cumprir. E outra bandeira é a saúde. Temos que melhorar. Desde o mandato passado, venho fiscalizando diariamente as unidades, nas madrugadas e finais de semana. Muitas vezes saímos de madrugada daqui para recorrer ao plantão judiciário para garantir cirurgia de emergência, um direito já assegurado pela Constituição Federal, mas que o poder público não vem cumprido. É isso que viemos buscando. Essa também é nossa luta.


