Os bancos foram os que mais lucraram no primeiro semestre do ano entre empresas com ações na Bolsa de Valores. Segundo levantamento da Economatica, o lucro líquido dos bancos chegou a R$ 24,9 bilhões, um aumento de 19% em relação ao mesmo período do ano passado, quando atingiu a R$ 21 bi. Os ganhos dos bancos são quase cinco vezes maior do que o de todas as empresas do setor de telecomunicações e quase dez vezes o do setor de construção.
As empresas do setor de petróleo e gás, com ganhos de R$ 21,9 bi, ficaram na segunda colocação. Apenas a Petrobras responde por mais de 90% do lucro total deste setor (R$ 21,5 bi).
As empresas de mineração ficaram logo a seguir, com lucro de R$ 21,8 bilhões. Apenas o lucro da Vale foi de R$ 21,5 bi no primeiro semestre. Dos 24 setores listados pela Economatica, somente o de eletroeletrônicos teve prejuízo no período. As perdas chegaram a R$ 289 milhões.
O lucro das 335 empresas brasileiras com ações na Bolsa de Valores foi de R$ 108,9 bilhões no primeiro semestre. O valor é 29,8% superior ao do mesmo período do ano passado (quando o lucro foi de R$ 83,9 bi).
Calote e sonegação
Os bancos estão declarando inadimplência maior do que a realmente verificada em suas carteiras de crédito como forma de pagar menos impostos, segundo apuração da Receita Federal. A informação é de Lorenna Rodrigues, em reportagem da Folha de S. Paulo de segunda-feira (29). As autuações a instituições financeiras por terem informado calote maior do que o observado pelo fisco somam quase R$ 200 milhões até julho deste ano --o valor já supera em 20% o total de notificações de todo o ano passado.
A expectativa é que as notificações (que incluem os valores dos impostos que deixaram de ser recolhidos, multas e juros) cheguem a R$ 600 milhões neste ano. Os bancos negam que haja irregularidades e dizem que a Receita Federal vem mudando o entendimento do que pode ou não pode ser feito na contabilidade. O diretor da Comissão Tributária da Febraban (Federação Brasileira de Bancos), Carlos Pelá, afirma desconhecer as razões pelas quais a Receita Federal vem autuando os bancos no caso de perdas por causa da inadimplência dos clientes. Ele acredita que essa deve ser uma questão pontual, que não foi discutida no âmbito da federação.


