A presidenta Dilma Rousseff disse nesta segunda-feira (4) que o governo federal pretende fortalecer as parcerias com prefeituras de todo o país. Segundo ela, serão oferecidos R$ 66,8 bilhões em novos recursos para investimentos em obras e serviços como creches, postos de saúde, moradias, redes de água e esgoto e pavimentação de ruas. “Fazemos isso porque é a prefeitura que está lá junto do cidadão e, portanto, conhece a realidade de cada bairro, de cada rua, de cada comunidade", destacou, durante o programa semanal de rádio Café com a Presidenta.
Dilma lembrou que as parcerias preveem a construção de 3,2 mil creches e que a seleção de municípios começa este mês. Ela destacou ainda que mais de 4,8 mil cidades com até 50 mil habitantes vão receber uma retroescavadeira. Até o momento, foram entregues 1.350 unidades e a meta é que 3,5 mil cheguem ainda este ano. Sobre a construção de moradias pelo Programa Minha Casa, Minha Vida, a presidenta ressaltou que 1,1 milhão de casas precisam ser contratadas até 2014 e que, “para vencer esse enorme desafio", é preciso ampliar a parceria com as prefeituras.
Dilma também voltou a cobrar dos gestores maior atenção ao Cadastro Único, ferramenta utilizada para o pagamento de benefícios como dos programas Bolsa Família e Brasil Carinhoso. “Precisamos manter um cadastro completo, um cadastro benfeito, porque essa é a garantia que nós temos de que podemos ajudar todas as famílias em situação de pobreza extrema". (Agência Brasil)
Presidenta diz que não discrimina oposição
A presidenta Dilma Rousseff disse também nesta segunda-feira, em Cascavel (PR), que o tempo em que o governante perguntava a filiação partidária de governadores e prefeitos para decidir fazer ou não parcerias passou. Dilma participou da cerimônia de abertura da feira Show Rural Coopavel 2013 e de entrega de retroescavadeiras a 29 municípios paranaenses, ao lado do governador do estado, Beto Richa, do PSDB, e da ministra-chefe da Casa Civil, a também paranaense Gleisi Hoffmann. “O tempo em que o governante olhava para o governador ou o prefeito perguntando de que partido ele era passou. Hoje, jamais olhamos para opção política, religiosa ou esportiva do prefeito ou do governador. Isto não pode ser critério para que nós façamos ou não parceria porque quem nos elegeu - a mim, ao governador e aos prefeitos - tem um nome só: é o povo deste país", disse Dilma. Antes da presidenta, Beto Richa havia tocado no assunto durante seu discurso, dizendo que “o tempo das bravatas, da perseguição, ficou no passado". Segundo ele, o momento é de dar as mãos e caminhar rumo ao mesmo objetivo, que é o desenvolvimento econômico e social do Paraná. Dilma ressaltou a importância das parcerias com governadores e prefeitos para a execução de grandes programas do governo federal, como o Bolsa Família. “É uma visão absolutamente patrimonialista e oligárquica achar que o estado ou os recursos do estado pertencem ao governante. Eles pertencem ao povo deste país e é para eles que temos que olhar", concluiu.
Mantega anuncia resultado melhor para a economia
A economia brasileira deverá crescer este ano entre 3% e 4%, estimou o ministro da Fazenda, Guido Mantega, ao participar do Encontro Nacional de Novos Prefeitos e Prefeitas, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília, no dia 30. Para ele, qualquer que seja o resultado, será maior do que o registrado no ano passado, com melhoria na arrecadação, inclusive para os prefeitos. “A economia brasileira está em uma trajetória de aceleração do crescimento. Em 2012, a economia cresceu pouco no primeiro semestre, 0,6%, mas cresceu o dobro no segundo semestre, 1,3%. Portanto, a trajetória vai permanecer em 2013 e nos outros anos".
Ao cumprimentar os novos prefeitos, Mantega disse que o primeiro desafio foi ganhar nas urnas e ressaltou que o segundo será fazer uma boa gestão e cumprir as promessas de campanha. O ministro recomendou ânimo a muitos dos novos prefeitos que, segundo ele, encontraram um gabinete “novo, pintadinho, mas com o cofre cheio de faturas para pagar". Para ele, é importante ter otimismo porque a economia internacional está melhorando, embora tenha atrapalhado bastante o Brasil, no ano passado, devido aos “efeitos da crise europeia, com o risco de quebra da Grécia e da Espanha", entre outros problemas. “Quase houve uma ruptura com a quebra de bancos no Continente Europeu, mas a situação está relativamente superada." Agora, o que se projeta é maior crescimento da economia este ano do que em 2012, destacou.
Crescimento dos EUA e melhora da China vão ajudar
O ministro apontou ainda como fatores positivos o crescimento dos Estados Unidos, com reflexos no Brasil, e a melhora da situação na China. “A China, que é a segunda maior locomotiva [do crescimento], depois de ter desaceleração nas taxas de crescimento, estabilizou o ritmo e voltou a acelerar. Isso irá também contribuir para o nosso crescimento, porque a China é uma grande importadora de produtos brasileiros". Mantega informou aos prefeitos que o reajuste no preço da gasolina, anunciado na noite passada, será menor para o consumidor, chegando a pouco mais de 4%. Ele explicou que isso é possível porque a gasolina vendida nas bombas conta ainda com um percentual de álcool.
O ministro falou também sobre a redução das tarifas de energia para o consumidor residencial, em torno de 18%, que, segundo ele, deverá garantir uma sobra de R$ 9 bilhões para as famílias este ano. “Elas [famílias] pagarão menos e poderão usar esse dinheiro para melhorar o padrão de vida e fazer compras. As indústrias e o comércio reduzirão preços e ficarão mais competitivos." Para ele, o resultado fiscal, anunciado dia 30 pelo Banco Central, mostrou que o setor público não conseguiu cumprir a meta de superávit primário no ano passado. “Mas a dívida caiu, e isso é mais importante. Estamos muito bem. Isso foi atestado por instituto que registra a transparência orçamentária entre 100 países. Ficamos em 12º lugar", afirmou. A fonte do relatório citado por Mantega é o International Budget Partnership.
Sobre a queda na cotação do dólar, o ministro lembrou que o câmbio é flutuante e não vai ser alterado. Ele disse que a volatilidade do câmbio caiu, mas ressaltou que isso não significa ausência de flutuações. Para Mantega, um valor um pouco acima de R$ 2 ou um pouco abaixo de R$ 2 não é significativo. “E o normal é essa flutuação. Não estamos mudando a política cambial, que é a mesma. Não permitiremos uma sobrevalorização do real. E aviso aos navegantes: 'Não se entusiasmem, porque não vai acontecer isso. Não esperem que o câmbio venha a derreter. Também não acreditem que é um instrumento para baixar preço'", concluiu.


