O Programa de Desenvolvimento de Submarinos (Prosub) brasileiro deu um importante passo dia 1º, com a inauguração da Unidade de Fabricação de Estrutura Metálicas (Ufem), em Itaguaí. O espaço é parte da infraestrutura industrial de construção e manutenção de submarinos convencionais e a propulsão nuclear. O Prosub, da Marinha, é uma cooperação entre Brasil e França e prevê a fabricação de quatro submarinos convencionais, a propulsão diesel-elétrica, e um a propulsão nuclear, com tecnologia nacional. O programa gera nove mil empregos diretos e 32 mil indiretos. A previsão é que o primeiro submarino seja entregue em 2015 e mais um a cada 18 meses. O primeiro submarino a propulsão nuclear estará pronto em 2023 e passará por cerca de dois anos em testes no mar antes de entrar em operação. O investimento que inclui a construção da Ufem, do estaleiro e da base naval que abrigará os submarinos, será de R$ 7,8 bilhões até 2017.
A inauguração contou com a presença da presidenta Dilma Rousseff, do ministro da Defesa Celso Amorim. do governador Sérgio Cabral e do vice-governador e coordenador de Infraestrutura Luiz Fernando Pezão. A presidenta destacou que o programa não constrói apenas submarinos, mas também produz conhecimento e tecnologia que podem ser reproduzidos por diversos outros setores. “Estive aqui há três anos, naquela época era ministra da Casa Civil durante o governo do presidente Lula. De lá para cá, toda essa fantástica estrutura foi construída. Aqui, se erigiu um projeto que é muito importante para o Brasil. Podemos afirmar com orgulho que o Programa de Desenvolvimento de Submarinos é uma realidade", afirmou a presidenta.
A Ufem será responsável por mais uma etapa de montagem dos cinco submarinos brasileiros. O processo começa na Nuclebrás Equipamentos Pesados (Nuclep), pronta para fabricação de seções do casco externo, que posteriormente serão levadas para a Ufem para colocação de estruturas, equipamentos e componentes internos. Após essas intervenções, o estaleiro fica responsável pela união de seções e acabamento final.
Potencial tecnológico na área de defesa
Dilma Rousseff disse que o Brasil provou ser capaz de cumprir o papel do desenvolvimento cientifico e tecnológico na área de defesa, com a inauguração da Ufem), primeira etapa para a construção de submarinos. “Com este empreendimento entramos em um seleto grupo, dos integrantes do Conselho de Segurança das Nações Unidas com acesso ao submarino nuclear", destacou a presidenta, ao ressaltar que atualmente, a tecnologia de propulsão nuclear é dominada apenas pela China, pelos Estados Unidos, pela França, Inglaterra e Rússia, membros permanentes do órgão. Atualmente o Brasil não integra o Conselho de Segurança da ONU. “Uma indústria da defesa é uma indústria da paz, mas, sobretudo, do conhecimento. Aqui se produz tecnologia e tem um poder imenso de difundir tecnologia", completou ela durante a inauguração.
O investimento de R$ 7,8 bilhões inclui a construção da Ufem, do estaleiro e da base naval, que abrigará os submarinos. A planta de propulsão nuclear será desenvolvida com tecnologia inteiramente nacional. O ministro da Defesa, Celso Amorim, declarou que a decisão de implementar o programa demonstra que o Brasil entendeu que a segurança não é algo delegável. “Um país que quer ser autônomo e se firmar no mundo deve cuidar da sua segurança. Se formos eternamente dependentes daquilo que os outros nos fornecerem não teremos nossa autonomia, não poderemos defender nossos recursos, nossa população e a nossa orientação no mundo." Amorim também ressaltou que as ações vão gerar emprego e estimular a indústria naval e nacional.


