O ministro é desmentido, porém por dois fatos isolados, mas com intima ligação com as novas tragédias: 1 - O afastamento por ordem judicial dos prefeitos de Teresópolis e Nova Friburgo por desvio de verbas; 2 - A condenação pela Secretaria de Obas de Niterói de dois prédios destinados a abrigar vítimas dos deslizamentos no Morro do Bumba, uma favela erguida sobre um antigo lixão da ex-capital do antigo Estado do Rio.
Tanto na Região Serrana, quanto em Niterói, a burocracia não teve forças para afastar a corrupção ou o descaso com que são tratados os projetos de reconstrução das cidades afetadas pelas chuvas de Verão. O que eleva a taxa de desconfiança da população, com relação às ações governamentais depois das tragédias, é o velho estilo do Poder Público no Brasil: é mais fácil e lucrativo, até politicamente, socorrer as vítimas das tragédias do tipo “anunciadas", do que investir em prevenção.
A transposição do Rio São Francisco, área de atuação política do Ministro Fernando Bezerra, por exemplo, que se arrasta desde o Império, é uma eloquente demonstração de que, politicamente, não é desejável evitar a tragédia. O correto, para nossos políticos (de todos os partidos) é ajudar a enterrar os mortos e fornecer carros pipas, ao invés de uma obra perene, que só irá beneficiar a biografia do político que cortar a fita simbólica da inauguração.
O governador Cid Gomes, do Ceará, por exemplo, pagou um cachê à cantora Ivete Sangalo para cantar na inauguração de um hospital, cuja marquise desabou uma semana depois. O hospital está sem funcionar até hoje por falta de equipamentos , inclusive leitos, material hospitalar e pessoal.
A falta de atenção para o saneamento básico, que consiste em fornecer água tratada e canalizar e tratar o esgoto, é outra explicação para a mortandade de peixes na Lagoa Rodrigo de Freitas, que será usada como cartão postal para os turistas que vierem assistir a Copa do Mundo, em 2014, e as Olimpíadas, em 2016.
E a demolição do Museu do Índio para a construção de um futuro “Museu do Futebol" é outra prova eloquente de que nossos governantes não descem do palanque depois de fechadas e lacradas as urnas. Ninguém quer ser surpreendido sem uma bandeira na próxima campanha eleitoral. Principalmente pelo fato inegável de que mortos não votam, nem atrapalham a carreia política de nenhum Zé! Genuíno ou genérico!


