“Não haverá tolerância com a inflação", assegurou o presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, no Rio de Janeiro, onde participou, no último dia 12, da 25ª Reunião de Presidentes de Bancos Centrais da América do Sul. Indagado sobre a possibilidade de elevação dos juros básicos em função de pressão inflacionária, Tombini respondeu que “o BC não fala sobre reuniões futuras", referindo-se à próxima do Comitê de Política Monetária (Copom), programada para esta terça (16) e quarta-feira (17).
O presidente do BC destacou à Agência Brasil que o banco está atento aos movimentos na economia. “Estamos, neste momento, monitorando atentamente todos os indicadores e, obviamente, no futuro, vamos tomar decisões sobre o melhor curso para a política monetária". Ele explicou que o encontro de presidentes de BCs da América do Sul era realizado no âmbito do Mercosul e, este ano, foi ampliado. Da reunião participam nove titulares de BCs, incluindo o Brasil. "Essa é uma oportunidade para que sejam trocadas impressões sobre a economia internacional, a economia da região como um todo e a de cada país", concluiu.
TAXA BÁSICA - A taxa básica de juros, a Selic, deve ser mantida em 7,25% ao ano, na reunião desta semana do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC). Essa é a expectativa de instituições financeiras consultadas pelo BC, semanalmente. A projeção de que a Selic será mantida no atual patamar, neste mês, é a mesma há 25 semanas. Entretanto, de acordo com a mediana das expectativas das instituições financeiras, em maio, a Selic deve subir para 7,75% ao ano, contra a estimativa anterior de 7,5%. Ao final de 2013, a taxa básica deve chegar a 8,5% ao ano, a mesma expectativa para o fim de 2014. A Selic é o principal instrumento usado pelo BC para controlar a inflação, que está em alta no país.
O presidente do BC, Alexandre Tombini, tem reiterado que a instituição não é tolerante com a inflação e que está atentamente monitorando os indicadores para tomar decisão. Na ata da última reunião do Copom, em março, o colegiado informou que a dinâmica desfavorável da inflação pode não ser um fenômeno temporário, mas uma eventual acomodação da inflação em patamar mais elevado. O comitê ponderou, entretanto, que incertezas remanescentes - de origem externa e interna - cercam o cenário prospectivo e recomendam cautela na definição da Selic.
Para Mantega, combate à inflação será prioridade sempre
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, reiterou que o governo federal não permitirá o aumento da inflação no país, mesmo que medidas consideradas impopulares sejam necessárias. “Elevamos os juros em 2010, época de eleições", lembrou o ministro em entrevista à Agência Brasil no último dia 12. “Combater a inflação sempre será uma prioridade", acrescentou. Mantega disse que para conter a alta de preços poderão ser implementados vários tipos de medidas e que a elevação da taxa de juros seria apenas uma delas. “Mas isso só se o Copom [Comitê de Política Monetária], se o Banco Central [BC] considerar conveniente" declarou. Ele destacou que a tomada de decisão sobre juros cabe apenas ao BC. “Cada um faz a sua parte, mas eu não sei o que vai acontecer com os juros, nem quero saber."
De acordo com o ministro, a preocupação com o aumento da inflação ocorre em função, principalmente, da alta dos preços dos alimentos. Segundo ele, o choque de oferta provocado pela seca do ano passado nos Estados Unidos e no Brasil encareceu as commodities. Além disso, os alimentos como o tomate, a cebola e a farinha de mandioca foram afetados pela a irregularidade de chuvas. “Estamos já terminando o regime de chuvas e entrando nas safras, que vão despejar toneladas de alimentos [no mercado]", ressaltou o ministro.
Outro fator que faz Mantega acreditar que a inflação será menor em 2013 é que o país não deve enfrentar a desvalorização do câmbio brasileiro, como ocorreu no ano passado. “Esses são dois fatores que vão favorecer uma inflação menor em 2013", reiterou o ministro, que participou de seminário em São Paulo promovido pela Revista Brasileiros.


