Ao votar a favor de uma investigação da ONU sobre denúncias de desrespeito aos Direitos Humanos no Irã, a Presidente Dilma Rousseff marcou uma mudança do eixo da nossa política externa desde o Governo Lula, que apoiava sempre os países estrangeiros que ofereciam qualquer tipo de resistência ao governo dos EUA, como é o caso da Bolívia, Venezuela, Cuba, Irã e diversos países africanos, comandados há décadas por ditadores.
Dilma Rousseff anunciou que uma das variáveis na política externa no seu Governo seria o integral respeito aos Direitos Humanos, colocando no index os países sob governos autoritários, mesmo os que, a exemplo do que ocorreu no Brasil a partir de 1964, tenham aparente democracia, com parlamento funcionando, mas uma feroz repressão à oposição e a prática da censura e pressão econômica sobre a imprensa local.
A decisão de convidar para o almoço com Obana, no Itamary, todos os ex-presidentes da república eleitos pelo voto direto e secreto, mostrou uma faceta nova do Governo, o de demostrar uma necessária e fundamental distensão política, ao contrário dos oito anos do Governo Lula. E o convite para Fernando Henrique Cardoso e Itamar Franco participarem da mesa principal foi um recado para Lula: amigos sim, mas sem submissão. O enfrentamento das centrais sindicais na discussão do novo salário mínimo e de mudanças na tabela do Imposto de Renda retido na fonte deu bem uma mostra do estilo Dilma de governar: aceita discutir projetos, nunca capitular diante de chantagens, explícitas ou não.
O mais recente “efeito Dilma" foi a rapidez na substituição da presidente da Caixa Econômica Federal, Maria Fernanda Coelho. Tão logo vazou o pedido de demissão, feito a portas fechadas no gabinete do Ministro Guido Mantega, da Fazenda, a presidente não perdeu tempo discutindo nomes e determinou que Maria Fernanda fosse imediatamente substituída pelo vice-presidente da Caixa, Jorge Hereda, que já conhece a instituição por dentro e os seus problemas, principalmente depois da desastrada compra de parte do Banco PanAmericano, decidida por Lula e com o único propósito de salvar o patrimônio pessoal do empresário Silvio Santos, diante do rombo de mais de R$ 4 bilhões no banco administrado por um parente do sorridente apresentador de TV e dono do SBT, entre outros negócios. Estivesse Lula no Palácio do Planalto, a economista Maria Fernanda sangraria em praça pública enquanto Lula estaria dando entrevistas, dizendo que não sabia do rombo no PanAmericano, não conhecia Silvio Santos e que estava em busca de um nome aceito pelo mercado, vale dizer, empreiteiras, Bradesco, Itaú, Santander, HSBC e BMG, entre outros de menor porte.
Durante a campanha eleitoral, muita gente torcia o nariz para a candidata do PT por entender que, eleita, seria um joguete nas mãos de Lula e seus companheiros. Em noventa dias de Governo, Dilma Rousseff conseguiu se livrar da pecha de teleguiada do ex-presidente e, criada em Minas Gerais, soube aplicar na prática a teoria de que os mineiros, em especial na Política, sempre trabalham calados e em silencio. Assim, sem alardes e sem bravatas descabidas, a Presidente Dilma Rousseff vem imprimindo a sua marca de governar, cobrando resultados e agindo rápido, como no caso da mudança de postura no Irã, sem deixar de criticar a intervenção estrangeira na crise da Líbia, em que civis vem morrendo na luta entre Kadaffi e os seus opositores.
O Brasil espera que as dificuldades que o Governo vai enfrentar nos próximos meses não sejam suficientes para mudar o perfil de Dilma Rousseff, nem tisnar a Esperança que rebrotou no coração dos brasileiros: desenvolvimento econômico e o combate à inflação, um terrível imposto pago preferencialmente pelos pobres, até os que vivem da caridade pública.


