Num momento em que o País debate se a Saúde precisa de mais médicos, ou aperfeiçoamento na sua gestão, e, paralelamente, comemora a Semana Mundial de Aleitamento Materno, o chefe de um dos principais bancos de leite do país, o Instituto Fernandes Figueira do Rio de Janeiro, Franz Reis Novak, revela que há no Brasil apenas 211 serviços desse tipo em funcionamento para atender 1,5 milhão mulheres com problemas relacionados ao aleitamento materno. Segundo ele, o número é muito pequeno.
A presidenta do Comitê de Aleitamento Materno da Sociedade Paulista de Pediatria, vinculado à Sociedade Brasileira de Pediatria, Marisa da Mata Aprile, ressaltou que a criança amamentada no peito é beneficiada pela proteção afetiva e física.
- Além do contato com a mãe, que desenvolve o emocional desde criança, há a proteção contra doenças na infância. Os riscos são menores por conta dos anticorpos que a mãe passa para o filho - destacou Marisa Aprile. Ela reforça que o “leite materno tem um sistema de imunização para a criança porque tem células vivas que protegem. São vários fatores que diminuem o número de infecções". O pediatra Sylvio Renan Monteiro de Barros, autor do livro Seu Bebê em Perguntas e Respostas, informa que ao amamentar a mulher previne contra o câncer de mama. “Estatisticamente a mãe que amamenta está se protegendo do câncer. A amamentação é uma forma de prevenção, isso é comprovado e visível. A mãe que amamenta previne o câncer de mama", disse.
O chefe do Instituto Fernandes Figueira do Rio, Franz Novak, lembrou que as mulheres que têm excesso de produção de leite devem contribuir com os bancos de leite. “Antigamente as mães jogavam o leite fora, porque o leite precisa ser drenado, para terapia da mama da mulher. Agora, com os bancos de leite, nós pedimos às mulheres que façam a doação. O leite doado é transportado ao banco para pasteurização e controle de qualidade, para alimentar crianças prematuras", ressaltou.
Sylvio Renan alerta que o leite industrial tem sua contribuição, mas está longe de ser o substituto para o leite materno. “As mães que não podem amamentar, quando o bebê for ainda muito pequeno, devem procurar um banco de leite para alimentar a criança", diz Sylvio. Para ser doado, o leite deve ser armazenado em recipiente de vidro com tampa, devidamente esterilizado, que será recolhido por uma equipe especializada do Corpo de Bombeiros no caso das doaras morarem no Estado do Rio.
A maior participação da mulher no mercado de trabalho é um óbice ao aleitamento materno, pois a licença maternidade não é suficiente para que o bebê alcance uma idade capaz de dispensar o leite como seu principal alimento. É disso que se aproveitam as empresas de alimentação infantil para induzirem as mães ao desmame precoce, juto com crença largamente difundia de que o aleitamento provoca a deformação dos seios, alterando a silhueta da mulher, o que é um comprovado absurdo. (Com a Agência Brasil)


