A Google, empresa multinacional de serviços online e software dos Estados Unidos, que hospeda e desenvolve uma série de serviços e produtos na internet, reconheceu que é impossível dar garantias de segurança à privacidade dos usuários. Em documentos judiciais, a Google informou que os usuários do correio eletrônico Gmail não devem ter “expectativas razoáveis" de que as suas comunicações são confidenciais. A falta de privacidade do Gmail é salientada em um texto de 30 páginas, que foi apresentado no último dia 13, pelos advogados da Google nos tribunais de San José, no norte da Califórnia. Os advogados responderam a uma queixa coletiva na qual a empresa é acusada de espionar os internautas.
Para a direção da Google, as acusações são improcedentes pois as práticas da empresa se ajustam à lei vigente. As leis federais dos EE. UU. sobre escutas isentam de responsabilidade empresas dedicadas a comunicações eletrônicas, se os usuários aceitarem que suas mensagens podem ser interceptadas, como é o caso do Gmail. Essa espantosa confissão ocorre justamente em meio ao escândalo provocado pela divulgação, no jornal inglês “The Guardian", de documentos oficiais da Agencia de Segurança Nacional do governo norte-americano, vazados pelo ex-técnico da CIA Edward Snowden, que entregou cerca 20 mil documentos ao jornalista Glenn Grenwald, americano radicado, por razões políticas, no Rio de Janeiro.
Depois de longa espera, Snowden conseguiu asilo político, por apenas um ano, na União Soviética, enquanto o Governo Obama move céus e terra para prender o ex-técnico da Cia, oficialmente acusado de traição, o que poderá lhe custar, no mínimo, prisão perpétua.
Com se vê, em muitos países ditos democráticos, com os EUA à frente, a liberdade de informação e expressão não passa de uma peça de ficção, usada para justificar todo tipo de abuso, que acaba prejudicando o julgamento do cidadão comum em relação ao que diz e faz seus governantes.
Setores políticos no Brasil defendem, por exemplo, um marco legal para a Mídia, um eufemismo que, na verdade, pretende reeditar o DIP-Departamento de Imprensa e Propaganda - encarregado de censurar tudo que se publicava no País durante o Estado Novo, que durou 15 anos. Foi com base no DIP que a Ditadura de 64 restabeleceu a censura aos meios de informação, chegando ao ápice com a proibição de que fossem citados, independe dos fatos narrados, os nomes de alguns “inimigos do regime", como o bispo D. Helder Câmara, o ex governador da Guanabara Carlos Lacerda e o ex presidente JK.
Por tudo isso, nunca é demais lembrar o conselho do poeta russo (nascido na Geórgia) Vladimir Maiakovski. “Na primeira noite colhem uma flor de nosso jardim, e não dizemos nada. Na segunda, matam nosso cão, e não dizemos nada. Até que, conhecendo nosso medo, arrancam-nos a voz da garganta. E porque não dissemos nada, já não podemos dizer nada."


