A atual presidenta da República, Dilma Rousseff (PT), foi reeleita no último domingo (26), com 54.501.118 votos (51,64% dos votos válidos). Aécio Neves, do PSDB, ficou com 48,62% (51.041.155 votos). O resultado foi confirmado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por volta das 20h30, quando haviam sido contabilizados 98% dos votos em todo o País. Segundo o TSE, foram apurados 112.671.722 votos, dos quais 105.530.738 são válidos, o que corresponde a 93,66%. Foram 1.921.714 brancos e 5.219.275 nulos. A abstenção (os que não compareceram para votar) foi de 30.124.165 (21,20%). Esta foi a sétima eleição desde 1989, quando foi realizada a primeira eleição para presidente após o fim do regime militar.
Cerca de uma hora depois da confirmação dos resultados, em um discurso de 26 minutos, Dilma se dirigiu a correligionários e à imprensa, como presidenta reeleita, em um hotel de Brasília. Ela falou em união e reformas, negou que o país esteja dividido e pediu paz entre todos. "Conclamo, sem exceção, todas as brasileiras e brasileiros a nos unirmos em favor de nossa pátria, de nosso país, do nosso povo. Não creio que essas eleições tenham dividido o país. Entendo que elas tenham mobilizado ideias e emoções, às vezes contraditórias, mas movidas por um sentimento comum: a busca por um futuro melhor para o Brasil", disse. Ela acrescentou que entendeu o recado das urnas sobre a necessidade de mudanças. "O caminho é muito claro. Algumas palavras e temas dominaram essa campanha. A palavra mais repetida, mais falada, foi mudança. O tema mais amplamente convocado foi reforma. Sei que estou sendo reconduzida para ser a presidenta que irá fazer as grandes mudanças que a sociedade precisa", disse.
Segundo a presidenta, a primeira reforma que ela buscará será a política. Dilma disse que vai procurar o Congresso Nacional para conversar, assim como movimentos da sociedade civil. Ela voltou a insistir na necessidade de um plebiscito para "dar força e legitimar" a reforma. "Entre as reformas, a primeira e mais importante deve ser a reforma política. Deflagrar essa reforma, que é de responsabilidade do Congresso, deve mobilizar a sociedade por meio de um plebiscito, de uma consulta popular. Somente com um plebiscito nós vamos encontrar a força e a legitimidade para levar adiante este tema. Quero discutir isso com o novo Congresso eleito. Quero discutir igualmente com os movimentos sociais e as forças da sociedade civil."
Em seguida, Dilma voltou a prometer empenho no combate à corrupção. “Terei um compromisso rigoroso com o combate à corrupção, fortalecendo os mecanismos de controle e propondo mudanças na legislação para acabar com a impunidade, que é a protetora da corrupção", disse Dilma. Na área econômica, a presidenta disse que vai promover “com urgência" ações localizadas na economia para a recuperação do ritmo de crescimento com a manutenção de empregos e da renda dos trabalhadores. O combate à inflação também será uma prioridade, segundo ela. “Vou estimular, o mais rápido possível, o diálogo e a parceria com todos os setores produtivos do país", disse. Por fim, Dilma disse que hoje está “muito mais forte, mais serena e mais madura" para a tarefa que lhe foi delegada.
Após comemorar a sua reeleição no Rio de Janeiro, o governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) parabenizou a presidente. "Estou muito feliz com a reeleição da presidente Dilma. Acho que ela tem todas as condições de fazer um segundo mandato bem melhor que o primeiro. Temos uma parceria muito forte e tenho certeza de que a gente vai fazer muitas outras parcerias. Aproveito a oportunidade para parabenizar, também, o senador Aécio Neves pela grande votação. A gente tem um trabalho de unir esse país. O país precisa da união de todos".


