Entre os motivos alegados pelos ministros do Supremo Tribunal Federal para decidirem pela permanência no Brasil, como perseguido político, do ativista italiano Cesare Batiste - cuja extradição já fora aprovada pelo próprio STF - o tema mais discutido foi uma possível interferência do Governo Italiano em assuntos internos do nosso País, quando as autoridades daquele país recorreram da decisão do presidente Lula de não cumprira decisão do STF favorável à extradição, mas que deixara por conta do arbítrio do presidente república aceitar, ou não, o pedido do governo italiano. Para completar a festa do nacionalismo extremado, só faltaram as passeatas da UNE e das Centrais Sindicais, com bandeiras e bandas de música, em solidariedade ao STF e em protesto à descabida intervenção daquele país.
Poucos dias depois de tanto ufanismo em defesa da honra da pátria, maculada por um pedido legítimo do governo italiano, que tem um tratado firmado legitimamente com o Brasil para extradição de criminosos comuns, desde que o criminoso não tenha sido condenado à pena capital, pois na legislação brasileira não existe, ainda, a pena de morte oficial. O que vemos são ações organizadas por bandos e milícias, sob a complacência das autoridades policiais. No caso Batiste, o STF poderia até condicionar a extradição a um compromisso do governo italiano de transformar a prisão perpétua, de acordo com as leis italianas, ao máximo de 30 anos, como prevê a nossa Constituição, solução que tem amparo legal.
Poucos dias depois, a Câmara dos Deputados aprova uma MP, enviada pelo Governo, isentando as empresas que tenham relação com a Copa do Mundo de 2014 e/ou com os Jogos Olímpicos. A forma ambígua do projeto isentaria de impostos até uma empresa concessionária de carrocinhas de cachorro quente nos estádios onde serão realizados os jogos de 2014, ou as Olimpíadas de 2016. Outra aberração foi excluir as obras que serão realizadas, com investimentos de tantos bilhões que o Governo até hoje não sabe quanto gastará, da divulgação de orçamentos, para que o cidadão-eleitor, que paga toda essa farra até com o imposto sobre o cafezinho, não fique sabendo como foi a farra com nosso dinheiro, como ocorreu na África do Sul na última copa. Na reforma do Maracanã, por exemplo, os valores variam de menos de R$ 700 milhões até R$ 1 bilhão de reais, dependento da fonte interessada na sua divulgação.
O mais grave é que no contrato leonino firmado pela CBF, com aval do Governo Federal, a FIFA não está subordinada às leis nacionais, nem à soberania do País, podendo fazer e desfazer sem precisar se justificar. No caso do Comitê Olímpico Internacional, o abuso se repete, como se o Brasil fosse uma mera colônia, sem governantes e sem independência política.
Apesar de todas essas aberrações políticas e jurídicas, nem a OAB, muito menos a ABI ou qualquer outra instituição de caráter nacional, sempre dispostas a subscreverem manifestos em favor da liberdade e do respeito à Lei, até agora não tugiram, nem mugiram, talvez por medo do poder econômico por trás da FIFA e do COI. No caso das isenções fiscais, elas não se destinam a novas empresas no País, que iriam gerar renda e empregos, beneficiando exclusivamente as empresas ligadas tanto à FIFA quanto ao COI. Outro silêncio sobre o assunto vem das entidades empresariais, sempre atentas às reuniões do COPOM para discutir as taxas de juros, mas incapazes de desafiarem o poder do Senhor Ricardo Teixeira, o grão-vizir da FIFA no País. Até o Congresso Nacional, instituição que deveria defender a soberania nacional discutindo os contratos com a FIFA e o COI, como ocorre com as Convenções internacionais firmadas pelo país no âmbito das Organizações Mundiais da Saúde e do Trabalho, entre outras.


