O professor Juberlan de Oliveira lançou no último dia 5 mais um livro. Desta vez a obra é “Contos sem obrigações", lançada na Biblioteca Pública Governador Leonel de Moura Brizola, no Centro Cultural Oscar Niemeyer, em Duque de Caxias. Esta é a sua quinta obra literária - as primeiras foram “Com meus Olhos", “Sol de Inverno", “Sensibilidade" e “Momentos", todos de poesia.
A noite de autógrafos contou com a presença de políticos, intelectuais, amigos e familiares. Lucas Castro, Juan Pablo e Alessandro Rosa, alunos do Colégio Casimiro de Abreu, fizeram a apresentação musical sob a coordenação do professor Márcio. Ao iniciar a solenidade, o escritor pediu um minuto de silêncio pelas mortes de crianças, naquela data, na Creche Gente Inocente, na cidade de Janaúba, em Minas Gerais.
Antes de eleger-se prefeito de Duque de Caxias para um mandato de três anos (986 a 1988), pelo PDT, Juberlan foi vereador (de 1976 a 1982) e deputado estadual (de 1983 a 1985). Sua eleição à prefeitura quebrou um ciclo de militares e civis nomeados pelo governo militar para administrar a cidade, entre julho de 1971 e dezembro de 1984, período em que a cidade foi considerada “área de segurança nacional". Nesse período passaram pelo município como interventores três militares do Exército (general Carlos Marciano de Medeiros e os coronéis Renato Moreira da Fonseca e Américo Gomes de Barros Filho) e o civil Hydekel de Freitas Lima.
Nascido no município, que é diretor executivo do Colégio Caismiro de Abreu (Coca), foi secretário de Educação e Cultura das cidades de Duque de Caxias e de Nova Iguaçu a partir dos anos 90. É bacharel e licenciado em História Natural pela Universidade Gama Filho (UGF) e em direito pela UFRJ-UGF, doutorando em Ciências da Educação pela Universidad Nacional de Cuyo (Argentina), mestrado em Educação/Administração Escolar pela UFRJ e pós-graduado em Educação Comparada e em Biologia do Desenvolvimento (ambos pela UFRJ) e em Direito Público/Constitucional/Administrativo e Tributário pela UES.
“Contos sem Obrigações", que é dedicado pelo autor aos seus pais João e Therezinha de Oliveira, trás 34 textos. A política, naturalmente, não ficou de fora. Em “Eleitoralmente Fraudado", um dos momentos da obra bastante antenado com a realidade de hoje, o autor fala da campanha e votação em uma comunidade rural, controlada por coronéis da política, e em uma outra em uma grande cidade, muitos anos depois. Nesta última, o processo democrático também foi violentado por interferência de representantes do poder público. Em ambas, a votação era através de cédula. E desemboca na década de 80, quando ocorreu o grande escândalo de desvio de votos do então candidato do PDT a governador Leonel Brizola, eleição esta apurada eletronicamente e que tinha como alvo eleger Moreira Franco. O roubo foi denunciado e a vontade popular prevaleceu, com a vitória de Brizola. Ninguém, porém, foi punido. O autor realça a contaminação do processo eleitoral e defende que apenas com mais transparência, leis mais rígidas e sua aplicação com agilidade, “podemos acreditar numa mudança de rota das eleições". Para ele, a reforma política feita pelos políticos, ou seja, eles mesmos, “é um engodo, é uma farsa, mais uma vez um é um caminho tortuoso que reforma para não sair do mesmo lugar, ou melhor, quando algum grupo se sente ameaçado e deseja mudança para não mudar nada". E conclui: “Se o povo deseja mudança, os políticos fazem o jogo do faz de conta, manipulando e enganando, afinal eles vivem disso, são profissionais".


