O instituto alemão Fraunhofer, dedicado à pesquisa aplicada, irá acompanhar, certificar e avaliar o trabalho de instituições de pesquisa e inovação que atendem a demandas da indústria brasileira. Acordo nesse sentido foi assinado semana passada entre Brasília e Berlim. De acordo com o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Aloizio Mercadante, as pequenas e médias empresas nacionais precisam muito desse tipo de suporte. Pelo acordo, as empresas poderão apresentar suas demandas aos institutos que forem credenciados, que tratarão de resolvê-las e receberão remuneração parcial do governo brasileiro pelo seu trabalho, por meio da Embrapi - Empresa Brasileira de Pesquisa Industria).No momento, já estão credenciadas para esse tipo de atividade instituições de São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia e Santa Catarina na área da pesquisa e inovação.
O ministério alocou, 2011, R$ 60 milhões para custeio na área da inovação e, segundo Mercadante, o valor deverá aumentar este ano diante da previsão de admissão de novos centros de pesquisa. De acordo com o diretor de Educação e Tecnologia da Confederação Nacional da Indústria, Rafael Lucchesi, os governos dos países mais desenvolvidos "apóiam fortemente as iniciativas na área da inovação e o Brasil está lançando mão de instrumentos semelhantes". Segundo ele, o SENAI – Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial – atende anualmente a 20 mil empresas do Sistema S na área de pesquisa laboratorial e vai investir, até 2014, cerca de R$ 1,6 bilhão na construção de novos centros de pesquisa. Mercadante destacou que o setor privado ainda inova pouco no país, por isso o Estado procura participar dos investimentos, levando em conta que eles envolvem riscos. As empresas que aderem a projetos de inovação, segundo enfatizou, são beneficiadas com incentivos fiscais.
O ministro também destacou que é preciso inverter a questão das patentes no Brasil, pois enquanto dois terços delas, no mundo, vêm do setor privado, aqui, dois terços vêm de pesquisas financiadas pelo setor público, seja por empresas estatais ou laboratórios públicos. Para ele, nesse sentido, a parceria com o Instituto Fraunhofer vai ajudar na convergência da inovação, facilitando a transferência do conhecimento entre as empresas.
O Fraunhofer congrega 60 centros de pesquisa em todo o mundo e 32 deles já desenvolvem projetos específicos no Brasil, na área de calçados, na indústria têxtil, automotiva, de alimentos e de eletroeletrônicos. Na Alemanha, o instituto trabalha com os setores mais importantes da indústria alemã na área da tecnologia. O Brasil está ameaçado de voltar a depender da agricultura para garantir a entrada de divisas e a inovação e automação serão a porta de entrada do Brasil no 1º Mundo!


