Em menos de dois meses, foram 132 cirurgias eletivas, sendo 15% de alta complexidade
No período de 25 de maio a 14 de julho, o Hospital Dr. Moacyr Rodrigues do Carmo realizou 132 cirurgias eletivas, das quais 15% foram de alta complexidade. A informação foi dada pelo cirurgião geral coloproctologista Alexandre Marsillac, chefe da clínica cirúrgica da unidade, em entrevista ao Capital. “A cirurgia eletiva tem uma responsabilidade muito grande porque, diferente da cirurgia de emergência, que o paciente chega e nós salvamos a vida dele, o paciente da cirurgia eletiva nos é entregue gozando de saúde, e temos que devolvê-lo a família da mesma forma e com a solução do seu problema, melhor e recuperado", especifica o médico.
“O Hospital Dr. Moacyr do Carmo tem a capacidade de resolver qualquer coisa, sem nada a dever aos hospitais privados. Trabalhei em muitos hospitais particulares e ainda trabalho em alguns. A diferença do nosso hospital para os particulares é a hotelaria, é o quarto com TV de LCD, essas coisas. Em cirurgia, em hipótese alguma fica devendo. Temos uma equipe de qualidade, bem afinada. Temos banco de sangue funcionando 24 horas, tomografia, endoscopia, temos CTI, unidade pós operatória e fazemos colonoscopia, assim como cirurgia de grande porte", assinala o médico.
O cirurgião, que assumiu a chefia em abril do ano passado, já havia atuado no Hospital de Saracuruna e no próprio Moacyr do Carmo, como cirurgião concursado. “Com a carta branca que a direção e a Secretaria nos deram naquele momento, começamos a fazer um trabalho visando a solução desses problemas, os problemas relacionados à realização das cirurgias. Isso nos permitiu a contratação de profissionais qualificados e a compra de materiais, os pedidos que normalmente fazemos, somos atendidos de pronto. Nosso diretor, Dr. Magno Loureiro, tem sensibilidade suficiente para entender que estamos no front e precisamos do apoio dele. O que também nos motiva é saber que os profissionais de outros locais procuram vir hoje para o Moacyr do Carmo. Isso nos engrandece bastante, uma vez que colegas que trabalhavam em grandes hospitais do Rio de Janeiro, nos ligarem para pedir pra vir trabalhar aqui. As pessoas procuram porque tem excelência no tratamento, tem bons resultados. É a prova cabal que nós estamos no caminho certo".
- É importante frisar que não inventei nada. Quando cheguei, encontrei a clínica cirúrgica dividida em dois segmentos no hospital. Aí, com o apoio dos nossos superiores, coloquei toda a clínica cirúrgica em um andar só, no terceiro pavimento, pois estava meio pulverizada nos andares do hospital. Hoje temos vinte e oito leitos para clínica cirúrgica, o que significou um aumento de 40 por cento. E fomos mais além, proporcionando um ambiente mais adequado e mais qualidade do tratamento. Os pacientes passaram a ser melhor vistos, melhor acompanhados. Conseguimos reduzir o tempo de internação desses pacientes, o que para a clínica cirúrgica é muito importante, pois com isso a gente consegue diminuir consideravelmente o índice de infecção, que hoje é muito baixo. Nossas respostas ao tratamento são bastante significativas. Falo isso porque temos no serviço todos os cirurgiões com duas residências, e alguns até com três residências médicas. Contamos cinco cirurgiões provenientes do Instituto Nacional do Câncer [Inca], temos um time de oncologistas que é de fazer inveja a qualquer outro hospital do Rio de Janeiro".
Alexandre ressalta a realização de cirurgias de grande porte. Ontem [dia 16], por exemplo, realizamos uma duodenopancreatectosmia, cirurgia que durou o dia todo. Essa é a maior que existe na cirurgia geral. Só este ano, já realizamos três. São cirurgias avançadas em câncer. Por que estamos nós realizando? Por que outros locais não fazem e os casos deságuam aqui, embora o foco da gente não seja esse. Um hospital de nível um e dois é para a atenção básica, mas nós hoje conseguimos, além de fazer a atenção básica, ir além, fazendo o atendimento oncológico necessário do munícipe e mandando depois para tratamento", informando que conta hoje com vinte cirurgiões que se dividem de segunda a sexta-feira. “Excepcionalmente, costumamos também fazer cirurgia aos sábados", acrescenta.
- Vale registrar que temos a cirurgia de rotina, da clínica cirúrgica, e a cirurgia de emergência, que são coisas separadas. Existe um capitulo a parte que é a emergência, que continua rodando como sempre rodou. Na emergência nós temos três cirurgiões por dia, são vinte e um cirurgiões por semana, nesse setor. Na rotina, são os vinte cirurgiões gerais mais os especialistas, que são em torno de dez", acrescentou.
Alexandre Marsillac falou ainda sobre a formação de médicos. “Uma coisa importante também é que temos a escola médica aqui. Sim, isso aqui é uma escola também, nós formamos médicos com a parceria da Unigraniro, que tem internos aqui, estudantes que estão no último período, portanto, prestes a se formarem. E isso é muito importante porque muitos deles ficam na casa. Nós temos orgulho imenso disso. Começamos esse ano o programa de residência médica, duas estudantes em residência em cirurgia geral e estão felicíssimas, porque não existe no Rio de Janeiro ninguém que esteja operando como nós. Então, elas estão nadando de braçada porque tem cirurgia todos os dias e elas vão tomando conhecimento in loco. E é assim que vão sair novos cirurgiões daqui. Em dois anos elas estarão prontas para entrar no mercado como cirurgiãs formadas", conclui.


