Novembro Azul: Rio é o 3º estado com mais casos estimados de câncer de próstata em 2026
- nov 05, 2026 - Por Redação Jornal Capital
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Com projeção de 9.090 novas ocorrências no território fluminense, Alerj lança campanha no dia 10 de novembro para incentivar o cuidado integral com a saúde do homem.
O Estado do Rio de Janeiro ocupa a terceira posição nacional em número de novos casos estimados de câncer de próstata para 2026. Segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca), são previstos 9.090 novos diagnósticos no território fluminense, ficando atrás apenas dos estados de São Paulo e Minas Gerais. O cenário acende o alerta para a necessidade urgente de disseminar informação e aproximar a população masculina dos serviços de saúde.
Para impulsionar essa conscientização, a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) lança, no dia 10 de novembro, a sua Campanha Novembro Azul. A ação contará com a distribuição de folhetos explicativos e a veiculação de vídeos educativos. A iniciativa busca incentivar a atenção integral à saúde masculina, abrangendo desde hábitos alimentares e qualidade do sono até o controle metabólico, prevenção de doenças cardiovasculares e suporte à saúde mental e social.
“O Novembro Azul abre uma porta para que o homem olhe para a própria saúde de forma mais ampla. A consulta pode ser uma oportunidade para identificar outras necessidades e iniciar um acompanhamento. Queremos que esse cuidado continue durante todo o ano”, explica o urologista do Departamento Médico da Alerj, Samy Chitayat.
Em âmbito nacional, o Inca prevê 77.920 novos casos da doença para este ano. São Paulo lidera os números absolutos no país com 19.590 estimativas, seguido por Minas Gerais (10.290), Rio de Janeiro (9.090), Bahia (6.540) e Paraná (3.370). O instituto ressalta que o ranking analisa o volume absoluto de ocorrências projetadas — não o risco proporcional em relação ao total de habitantes — e que o câncer de próstata é o tipo mais comum entre os homens, quando desconsiderados os tumores de pele não melanoma.
Sinais de alerta e fatores de risco
Em seus estágios iniciais, o câncer de próstata costuma ser assintomático. No entanto, algumas alterações corporais exigem investigação médica imediata:
- Dificuldade para urinar ou diminuição da força do jato urinário;
- Aumento da frequência urinária, especialmente durante a noite;
- Presença de sangue na urina.
Embora essas manifestações também possam estar associadas a condições benignas, a avaliação por um profissional é fundamental para esclarecer o quadro.
A idade é apontada como o principal fator de risco, registrando elevação na incidência e na mortalidade a partir dos 60 anos. Homens negros e indivíduos com histórico da doença em parentes de primeiro grau — especialmente pai ou irmão diagnosticado antes dos 60 anos — apresentam maior suscetibilidade. Ademais, o excesso de gordura corporal está associado a uma maior chance de desenvolvimento de tumores em estágios avançados.
Prevenção e orientações para exames
Embora não exiba uma medida única capaz de evitar completamente o surgimento da doença, a adoção de hábitos saudáveis reduz significativamente os riscos. Ações recomendadas incluem a manutenção do peso corporal adequado, a prática regular de atividades físicas, a alimentação balanceada, o combate ao tabagismo e o manejo adequado do estresse e do sono.
A Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) orienta que homens busquem avaliação médica individualizada a partir dos 50 anos. Para aqueles pertencentes a grupos de maior risco — como homens negros, obesos ou com histórico familiar —, a recomendação é iniciar o acompanhamento a partir dos 45 anos. A decisão sobre a realização de exames deve sempre pesar benefícios e riscos específicos para cada paciente.
Por sua vez, o Inca não indica o rastreamento rotineiro em homens assintomáticos, visando evitar intervenções e tratamentos desnecessários em tumores de baixíssima agressividade que não ameaçariam a vida. No entanto, qualquer sinal ou sintoma suspeito deve ser investigado sem hesitação.
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Impacto na vida pessoal e familiar
As estatísticas ganham contornos humanos na rotina de quem enfrenta a enfermidade. Para o bancário Armando Gonçalves, de 65 anos, o diagnóstico serviu como um divisor de águas no autocuidado.
“Eu sempre tinha alguma coisa para resolver e acabava deixando a minha saúde por último. Depois do diagnóstico, minhas prioridades mudaram. O apoio da minha família tem feito muita diferença. Hoje, digo aos meus amigos: encontrem tempo para cuidar de vocês também”, conta o bancário.
O acolhimento no ambiente familiar desempenha papel crucial durante o tratamento. A administradora Manoela Maria Gonçalves relata o impacto e a reorganização da rotina ao acompanhar o marido.
“Quando meu marido recebeu o diagnóstico de câncer, senti medo do que viria. Como seria dali para frente? A doença é dele, mas a família inteira sente. A gente quer acolher, ajudar, dar segurança e mostrar que ele não está sozinho, mesmo quando também está se está assustada. O que antes podia esperar passou a ter urgência, e estar ao lado dele se tornou nossa prioridade”, desabafa Manoela.
A definição do plano terapêutico varia conforme a agressividade do tumor, o estágio do câncer e as condições gerais do paciente.
“A escolha do tratamento depende do estágio e da agressividade do tumor, das condições de saúde e das preferências do paciente. Em alguns casos de baixo risco, podemos acompanhar a doença com vigilância ativa; em outros, são indicadas cirurgias, radioterapia ou medicamentos. Durante esse percurso, precisamos avaliar a resposta ao tratamento, controlar a dor e outros sintomas e acompanhar os efeitos colaterais. Preservar a autonomia e a qualidade de vida faz parte do tratamento”, explica o oncologista Alemar Salomão.
Legislação estadual garante direitos e acesso
No Estado do Rio de Janeiro, o amparo ao paciente e a conscientização sobre a doença são respaldados por legislação própria:
- Lei 6.055/11: Instituiu a Campanha de Conscientização sobre o Câncer de Próstata no âmbito estadual;
- Lei 5.245/08: Autoriza a ausência remunerada de servidores públicos estaduais para a realização comprovada de exames oncológicos prevendo, ainda, ações educativas e facilitação ao acesso gratuito aos exames;
- Lei 5.957/11: Assegura aos pacientes acometidos por câncer de próstata ou hiperplasia benigna o acesso gratuito aos medicamentos prescritos para o tratamento, autorizando a padronização dos remédios pelos órgãos de saúde.
Onde buscar atendimento público
A porta de entrada no Sistema Único de Saúde (SUS) para avaliação inicial é a Unidade Básica de Saúde (UBS) ou a Clínica da Família de referência do bairro do paciente. As equipes de atenção primária avaliam os sintomas e encaminham os casos necessários para médicos especialistas.
No momento da consulta, o paciente deve relatar todo o histórico familiar e eventuais sintomas urinários. Exames como o PSA (antígeno prostático específico) e o toque retal auxiliam na investigação, ressaltando-se que alterações nesses exames não confirmam isoladamente a presença do tumor.
O encaminhamento para centros especializados — como o Instituto Nacional de Câncer (Inca) e o Hospital Universitário Pedro Ernesto (HUPE/Uerj) — ocorre por meio do sistema de regulação assistencial do SUS, após triagem e indicação médica prévia na rede básica.




