Banco Central interrompe cortes e mantem a Taxa Selic em 13,75% ao ano
- nov 06, 2026 - Por Redação Jornal Capital
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Copom bota pé no freio em decisão unânime motivada por alta do dólar, impactos do El Niño e incertezas geopolíticas globais.
Em uma decisão que surpreendeu parte expressiva do mercado financeiro, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) votou por unanimidade, nesta quarta-feira, pela manutenção da Taxa Selic em 13,75% ao ano. O movimento interrompe a sequência de reduções iniciada em abril e reflete o avanço das tensões no câmbio, os impactos do fenômeno climático El Niño sobre os preços e o cenário de maior incerteza global.
No comunicado oficial divulgado após o encontro, a autoridade monetária sinalizou que o ambiente econômico exige cautela extrema e optou por não dar pistas sobre os próximos passos da taxa básica de juros.
"O contexto atual, caracterizado por taxa Selic substancialmente contracionista, aumento significativo das incertezas em torno do cenário base, expectativas de inflação mais elevadas, e desaceleração da atividade econômica doméstica mais acentuada, apresenta um cenário desafiador para a política monetária, demandando serenidade e cautela na sua condução", destacou o BC no documento.
A manutenção contrariou a projeção majoritária dos analistas, que aguardavam uma redução de 0,25 ponto percentual, embora uma parcela das instituições já trabalhasse com a hipótese de pausa.
O movimento ocorre após um ciclo recente de flexibilização. De junho de 2025 a março de 2026, a Selic permaneceu fixada em 15% ao ano — seu patamar mais elevado em quase duas décadas. A partir de abril, o colegiado promoveu cinco cortes consecutivos diante do alívio inflacionário. No entanto, o agravamento dos conflitos no Oriente Médio, a volatilidade cambial e os efeitos do El Niño voltaram a pressionar as projeções.
Além dos desafios conjunturais, a reunião ocorreu com a diretoria do BC desfalcada. Os mandatos de Renato Gomes (Organização do Sistema Financeiro) e Diego Guillen (Política Econômica) expiraram no fim de 2025. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda não encaminhou as novas indicações ao Congresso Nacional para sabatina.
Pressão inflacionária e a meta contínua
Como principal instrumento de controle do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a Selic atua para conter a demanda. Em outubro, o IPCA-15 (prévia da inflação) registrou variação de 0,32%, favorecido pela redução nas tarifas de energia elétrica. Contudo, no acumulado de 12 meses, o indicador avançou de 4,5% para 4,62%, ultrapassando o teto fixado pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). O IBGE divulgará o resultado fechado do IPCA de setembro no próximo dia 12.
Pelas regras da meta contínua em vigor desde janeiro de 2025, o centro fixado é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual (entre 1,5% e 4,5%), apurada mês a mês no acumulado de 12 meses. Assim, em novembro de 2026, a inflação acumulada desde dezembro de 2025 é aferida contra a meta, deslocando-se continuamente a cada mês, sem dependência exclusiva do fechamento de dezembro.
No último Relatório de Política Monetária (divulgado no fim de setembro), o Banco Central manteve em 5,2% a projeção do IPCA para 2026, dado que passará por revisão na edição prevista para o fim deste mês. As projeções do mercado seguem alinhadas: a edição mais recente do Boletim Focus aponta expectativa de inflação em 5,22% no encerramento do ano — superando o limite de 4,5%. Antes da eclosão dos conflitos no Oriente Médio, a estimativa do mercado situava-se em 3,95%.
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Impactos no crédito e no PIB
A decisão de congelar a Selic traz efeitos diretos para a atividade econômica. Embora juros mais baixos barateiem o crédito e estimulem consumo e investimentos, eles reduzem o freio sobre a alta de preços.
Diante do aperto financeiro mantido, o Banco Central já havia revisado a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026 para 1,8%. Os agentes do mercado privado projetam expansão ainda mais moderada: a estimativa do Boletim Focus recuou de 1,85% para 1,76% ao ano nas últimas quatro semanas.
A Taxa Selic é a taxa média ajustada das operações de financiamentos diários estruturados no Sistema Especial de Liquidação e Custódia para títulos públicos. Ao mantê-la em patamar elevado, a autoridade monetária busca conter a demanda agregada, encarecendo o crédito e desestimulando o consumo imediato até que a trajetória de inflação retorne ao centro da meta. (com informações da Agência Brasil)
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